quarta-feira, 7 de julho de 2010

FILOSOFIA DE ARRABALDE


Hoje estou mais para assuntos de cunho metafísico ou esotérico, fundamentados em empíricas considerações abstratas.Dentro desse propósito, intento dar ênfase e questionamento, sobretudo ao fadário que rege as nossas conturbadas vidas, às alternâncias de situações contingenciais, aos sortilégios, às coincidências, às vicissitudes, e bem assim aos percalços incidentes ou acidentários. Volta e meia nos vemos compelidos a admitir que existe algo mais além do que a nossa vã filosofia pode alcançar. Daí a minha profissão de fé, ora proclamada, reafirmando-me agnóstico/espiritualista, e, por isso mesmo, absolutamente consciente de que a nós - pobres mortais - não nos foi dada suficiente percepção, inteligência e discernimento, para desvendar o absoluto. Vislumbre e tirocínio já evidenciava, a respeito, o grande José Hernandez, na sua apoteótica obra Martin Fierro, ao colocar na boca de sua lendária personagem a sábia e conclusiva assertiva: "Quantas leciones nos trae el tiempo, con sus mudanzas!" Em contrapartida, professa a sabedoria popular existirem pessoas que nascem com o traseiro virado pra lua. Mas, contraponho eu, também a lua tem as suas fases de mudança, assim como nós outros,sujeitos então à fatalidade das mutações oriundas de forças estranhas, magnéticas e incognoscíveis.A seu turno,a bíblia nos fala sobre a prevalência dos sete anos de vacas magras, seguidos de outros tantos anos de tais espécimes gordos.Partindo dessa premissa, eu próprio tenho feito regressiva contabilização sazonal da minha vivência, atento às particularidades dessas variantes. Ora,segundo a minha insuspeita contagem temporal, para mim já são decorridos mais de sete anos das tais de vacas magras, daí porque me ponho, persignado, no expectante alento de futurosos e abundantes mananciais, acoplados de fartas colheitas femíneas. Que venham as vacas gordas! Embora arredío e não muito chegado a adiposidades, por questões estéticas e salutares, eu por elas aguardo com mal contida ansiedade. Nem que seja para traçá-las ao espeto, mas desde que bem acompanhadas por loiras não estupidamente geladas...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

OS SEIOS DE JOANA


Conforme proposta alinhavada no texto anterior, aqui estou de volta para nova abordagem, agora cravada em tema bem mais ameno e reputável como sendo do agrado geral, porque enfocado na melhor coisa do mundo. Qual? Chocolate, não! Refiro-me à sexualidade amorosa, isenta de pornografia e descrita com fraseado elegante, floreado com pinceladas de luxúria e desvestida de intenções pecaminosas ou disseminadoras de práticas promíscuas. Para comprovação desse desiderato e com propósito elevado, valho-me da oportunidade para divulgar trechos ou lineamentos do meu próximo livro "Os Seios de Joana" - Contos Eróticos e Picarescos, com lançamento previsto para julho p.vindouro, cuja leitura é recomendada somente para adultos. Aqui vai, transcrito, ipsis literis, tópico figurativo integrante da contra-capa da obra, verbis:
"Dito isso, e para espanto dele, ali no sofá,
de pronto Dulce se colocou de pé, à sua frente,
e lentamente iniciou a desabotoar e entreabrir
as lindas vestes que trajava, expondo-se para
ele inteiramente nua, sem calcinha e sem sutiã.
Esse inesperado ritual de fetichismo culminou
por escancarar a esplendente beleza de um corpo
escultural. Palavra de honra: Hildebrando nunca
havia contemplado formas tão perfeitas, contornos
tão belos e curvilineos, ante a fantástica visão
daquela genitália, daqueles balouçantes seios ,
ornados por auréolas de rosácea coloração!
Diante da fulgurância daquelas libidinosas formas,
daquela pele resplandecente, daqueles alvos peitos
empinados para ele, da maciez daquelas ancas, das
pernas e coxas bem bronzeadas, daquela voluptuosa
fenda,Hildebrando hesitou, titubeante. Todo aquele
esplendor à sua frente,a um palmo das suas garras,
da sua boca e dos seus dentes...
"Valha-me Deus!"(gemeu).

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O CANECO DO MUNDO


Véspera de copa do mundo, bestialização do povo! Não se fala em outra coisa, como se o evento esportivo se revestisse do maior acontecimento terráqueo. Não se pode mais ler jornal, assistir televisão ou escutar rádio. A cantilena é sempre a mesma e repetitiva, batendo na mesma tecla, com variações em torno do mesmo tom. É a mesmice, o monocórdio, o rotineiro elevado aos píncaros da estultice. É o circo multiplicado à quintessência do absurdo.Meros chutadores de um balão de couro, cuja maioria é constituída de criaturas pensantes só com os pés, ao invés da cabeça, guindada à categoria de heróis nacionais! Enriquecidos e já distantes e olvidados da pátria, à custa de contratações milionárias, mas endeusados com mesuras e tratamento só dispensáveis a soberanas majestades. Apedeutas, na verdadeira acepção do termo, cujas enfadonhas estrevistas soam como elogio à mediocridade. Em contrapartida, à falta de assuntos de maior relevo, somos obrigados a acompanhar, no dia-a-dia, a "preocupante" diarréia do fulano, a indisposição estomacal do beltrano ou a distensão muscular do sicrano, seguidas do dilema atroz: será que poderão atuar nas contendas aprazadas? É o reinado da insensatez a batalha campeira a ser travada. No destemperado e alienante entrechoque de empurrões, chutes e canelaços - verdadeira guerra campal - são atiçados países, cujos representantes haverão de se digladiar e se esbater, com fúria canibalesca. Enquanto a turba, enlouquecida, aos bandos acorre sôfrega aos estádios, em balbúrdia descomunal . Guardadas as proporções, o espetáculo mais se assemelha aos combates da antiga Roma, quando os gladiadores, em lutas encarniçadas, travavam duelos mortais, para gáudio de uma platéia sedenta de sangue e barbárie. É quando as agressões e injúrias se sucedem, a multidão se agride trocando ofensas e impropérios, em tumulto, assomada de frenéticos espasmos e tremulações orgásticas , como se em jogo estivessem a honra e dignidade dos povos beligerantes. O grande Nelson Rodrigues, frasista de escol, mas fanático pelas práticas futebolísticas, ironicamente definira a nossa seleção como sendo "a pátria de chuteiras". Abstração feita à sonoridade da frase e ao impacto metafórico, somos forçados a convir que tal assertiva mal disfarçava sonoro escárnio e depreciativa ridicularia. Longe de desmerecer o grande dramaturgo e genial escritor,e descontado o exagero formal da assertiva, uma análise mais criteriosa da conceituação vai evidenciar que a referência nivelou fundamento e soberania nacional a mero e circunstancial evento desportivo. Releva sublinhar agora, num parêntesis, a devida ressalva: O esporte é belo e saudável, devendo seu exercício ser estimulado, em termos. Particularmente, gosto do futebol e o assisto, em casa, como arte e espetáculo, tanto que sempre o pratiquei ao longo da vida.Mas voltemos à temática em debate. Entrementes, para seu desproporcional incremento, na surdina e na calada da noite a mídia trabalha, incansavelmente. Com pertinácia e reiteração, maquiavelicamente, traça planos para fazer a cabeça e entorpecer e anestesiar a plebe ignara. É uma descomunal e gigantesca máquina publicitária, entronizando e propagandeando a espetaculosidade do evento! Formidável cadeia de jornais, rádios e televisões adrede montadas e aparelhadas para promover e faturar em cima do acontecimento, enchendo as burras dos meios de comunicação, dos cartolas, patrocinadores, espertalhões, apaniguados et caterva. Tudo em estridentes e estridulantes berrarias, sacrificando nossos pobres apêndices auditivos. É bem de ver que em países desenvolvidos, como é o caso dos Estados Unidos,o noticiário a respeito é liberto desse histerismo coletivo, cingindo-se a notas curtas e parcimoniosas. Corolário desse nosso modo de ser e de agir, a seqüela de romarias turísticas realizadas por ricaços, mais apadrinhados, bajuladores e até alguns pelados, rumo a um país-sede mais empobrecido do que o nosso, também envolto em corrupção, insegurança e alucinados e frívolos malbaratamentos.Si et in quantum, o imbecilóide local se deixa enredar, ingenuamente, pondo-se dançar travestido por amarelantes fantasias e enrolado em bandeirolas,cantarolando a mediocridade dos refrões que lhe são impingidos pelos corifeus da praça. Estupidamente fanatizado e enfocado no histriônico espetáculo, o povaréu entoa cânticos, em estribilho, tecendo loas aos "defensores da soberania nacional". Em estupor, a nação paraliza! Ninguém mais trabalha! Como se não bastassem a eterna ilusão do carnaval, a copa do Brasil e o Brasileirão de todos os dias, o ano inteiro... A culminar com o nosso pobre e explorado povo - desdentado, desassistido, espezinhado e afundado na mais triste penúria e degradante miséria -, a estufar o peito, em ufania, a gritar, "ululante": O caneco é nosso! A pátria está salva!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

OS DEUSES MODERNOS - ÍDOLOS DE BARRO



Decorrido algum tempo, aqui me têm de regresso, novamente. Após as digressões alinhavadas no texto anterior, retorno à minha praia. Ressabiado, talvez, por ter me transmudado de pato a ganso, como anatematiza a sabedoria popular. Sabia, de antemão, que estava a semear no deserto. Daí porque enfoco, hoje, temática mais amena e atualíssima. Conforme sugere o título, o assunto diz respeito à deificação, ao endeusamento de criaturas cujo mérito consistia ou consiste no ótimo desempenho das atividades que elegeram, mas cuja prática nada acrescenta nem traz qualquer benefício para nós, pobres mortais. Claro está que eles sobrelevam aos demais cristãos, na seara escolhida, fato que sobremaneira os dignifica e enaltece. Exemplos: Ronaldinhos, Madonas,Adrianos, Robertos Carlos, Byoncés, Xuxas e tantos outros...É bem de ver que as profissões onde sobressaem e despontam tais "divindades" são essencialmente popularescas. Quer dizer, justamente onde a massa de manobra - que é a plebe ignara - pode ser conduzida, embretada qual rebanho, rumo ao curral do sacrifício.Enquanto isso - e paradoxalmente - figuras relevantes, tais como sábios, benfeitores da humanidade, cientistas que se desdobraram no estudo e na solução dos cruciantes problemas que afligem a humanidade, trazendo luz à escuridão, esses são perfidamente relegados às sombras do anonimato! Atente-se bem para o circunstancial de que, por detrás dessas artimanhas, da prefabricada popularidade desses apedeutas, existe a mídia, uma monstruosa máquina montada para o incensamento desses falsos ídolos, propagandeando eventos e faturando $ifrões em cima disso. Assim, através de fantasiosos epitetos ultra criativos, são exalçados ditos medalhões: é o "fenômeno" aqui, o "rei" ali, a "diva" acolá, o "imperador" sei lá de onde... Exageros à parte, evidencia-se, aqui, o fato de que são todos, in genere, ídolos forjados por verdadeira máfia, subprodutos do meio, com profundas raízes e naturais reflexos no social, constituindo pernicioso exemplo para as novas gerações. As grandes cadeias de rádio, jornal e televisão,entoam cânticos e hinos de louvor a essas pseudos majestades, enchendo as burras e se locupletando com a gananciosa venda de caríssimos ingressos para a turba, legião de fanatizados, através do reiterado e extemporâneo trombeteio de tais espetáculos.Existe uma poderosa emissora que transmite vinte e quatro horas por dia, sendo que, dessas, vinte duas são berrarias alusivas a noticiosos de futebol e eventos popularescos. Agora, então, ante-véspera da copa do mundo, só se fala em futebol, como se fosse assunto de natureza primordial. Entorpecem o populacho e atravancam o País. Ninguém mais trabalha! Enquanto isso, assuntos prioritários tais como segurança pública, saúde, saneamento básico, educação, impostos escorchantes, corrupção e politicagem eleitoreira são relegados a um segundo plano... Então, a patuléia, sôfrega, aplaude e acorre em bandos, em gritedos histéricos e beberagens desenfreadas, causando acidentes, balbúrdia e incríveis congestionamentos de trânsito, tumultuando a vida citadina. Os estádios futebolísticos ficam abarrotados de gente. Os palcos e seus planetóides, com água pela barba, a plebe urrando e pululando em trejeitos simiescos, em rocambolescos requebros, ao som de música americanizada e sob o estribilho de letras analfabéticas, num inglês que poucos entendem. A ingênua juventude, essa, então, com a mente ainda mal formada, acode em massa a tais chamariscos, influenciada pelo espírito imitativo, vulgar modernismo e, sobretudo, vitimada pela sobrecarga do alarido feito pelos venais agentes publicitários. É um salve-se quem puder! Entrementes, os falsos deuses - ídolos de barro - aterrissando em suas aeronaves espaciais, recobertos de plata e rindo à toa, estufam o peito, envaidecidos, engalanados e ciosos da sua ilusória nobreza e divindade, a exigir mundos e fundos para seu deleite e aprazimento. Adornados e acobertados por excêntricos e frívolos caprichos,são entronizados em suntuosas acomodações, banhados em aquosas essências espumantes, sorvendo leite de cabra e abocanhando pitéus estapafúrdios. Travestidos pelos ouropéis mais belos e do alto do seu majestoso trono, se esbaldam em risos histriônicos e escárnios zombeteiros, com pena dos boquiabertos e embasbacados súditos aqui debaixo, babando na planície.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

DIGRESSÕES MAL DIGERIDAS


Dando seguimento à temática a que me propus, em texto anterior, incursiono agora no infértil terreno de temerárias elucubrações sobre a alimentação nossa de cada dia. Inicío pela assertiva de que o homem é aquilo que come; e, por minha conta, acrescento mais: também é aquilo que bebe. A começar pelo leite, o chamado "suco de vaca". Veneno puro. Ocorre que as vacas "modernas" são todas criadas, hoje, em ambientes distintos das pastagens naturais, como antigamente. Para que produzam maior quantidade de leite, sua alimentação é incrementada com ração industrializada, antibióticos e hormônios. Como se não bastasse, os tecidos gordurosos do bicho são contaminados por substâncias cancerígenas, pesticidas, dioxina e resíduos diversos. Tudo isso é transferido para o leite e a carne, com seqüela de inflamações, mastites e infecções no úbere das vacas, advindo daí necessidade de aumento da carga antibiótica.Ora, dirão, mas o leite é pasteurizado! Ocorre que, com esse processo,enzimas importantes são destruídas, tornando-o difícil de ser digerido. O leite magro e aquoso é outro engodo, porque menos saudável ainda. Sem a gordura, o nosso organismo não pode assimilar as vitaminas e sais minerais porventura existentes. Assim como o famigerado leite em pó, que lhe é adicionado,cujo colesterol desnatado sofre oxidação , tornando-o rançoso e fator determinante de doenças cardiovasculares. A totalidade dessas colocações são válidas para todos os derivados do leite, abrangendo queijos e lactiníos em geral! Para não falar, ainda, nas famigeradas embalagens de tais produtos, armazenados em caixas, plásticos, alumínios e mais recipientes, via de regra tranportados em condições insalubres, sem refrigeração adequada, propiciando a reprodução de germes, bacilos, coliformes e toxinas de natureza vária. Colocadas essas premissas, vale ressaltar que não somos bezerros! O estomômago de tais quadrúpedes, segundo os estudiosos, é muito diferenciado do nosso, especialmente levando em conta sua conformação e estrutura, que só são adequadas para a nutrição e crescimento de um animal bovino daquele porte e envergadura. Atente-se para o fato de que homem é o único ser existente na fauna terrestre que continua a se alimentar com leite, após superada a fase de amamentação. E mais, a maioria dos povos de outros continentes não consome leite! Pergunto agora: Será que somos mamíferos? E o cálcio? Ora, o cálcio existe em outras tantas variedades alimentícias, e com maior propriedade. E por que não sorvemos leite de outras alimárias, das cadelas ou macacas, por exemplo? Atentem para o fato de que, por detrás da torrencial avalanche divulgadora dos benefícios(?) do malsinado produto e seus deriváveis, existe um império, uma poderosa rêde indústrial de multinacionais americanas,auferindo lucros fabulosos com a propaganda e mercantilização de tais derivados das glândulas mamárias das fêmeas bovídeas. Dando sequência aos meus questionamentos expendidos no texto anterior, indago: por que tantas doenças e mazelas que cada vez mais afligem os humanóides? Por que o homem continua, hipocondríaco, a se entupir de remédios? Por que é quase inatingível uma velhice saudável? Não será por causa desses venenos? Não será porque foi desprezada a alimentação natural e passamos a nos empanzinar com industrizalizados, sabidamente compostos de nitritos, gorduras trans, corantes, edulcorantes, sal refinado e outras porcarias cancerígenas? E as frutas e verduras, todas impregnadas de pesticidas? E os açúcares e farináceos refinados, subtraídos de qualquer valor alimentício? E os frangos? As pobres penosas são, agora, criadas longe dos terreiros onde ciscavam, hoje confinadas em barracões e sob luz artificial, também carcomidas por hormônios e antibióticos,para acelerar seu desmesurado desenvolvimento, a curto prazo, visando o imediatismo do lucro. Será por isso que o homem hodierno está se tornando impotente, afinando a voz e se afeminando? E as carnes, via de regra mal conservadas, a começar com a hedionda matança das pobres alimárias, com seqüelas advindas do seu envenenamento sangüíneo, complementado por hormônios, antibióticos e mais produtos tóxicos, administrados para sua criação e engorde? E o consabido processo de putrefação intestinal sofrido pelo homem durante o seu lento processo digestivo? E a água que consumimos no dia-a-dia, contendo elevados índices de flúor, cloro, alumínio e coliformes fecais? Para não falar no seu acondicionamento em condenáveis garrafas plásticas, que lhe passam toxinas que proliferam durante o transporte, sob o calor do sol... Chega! Peçamos clemência. Vade retro Satanaz! É preciso uma varredura nos arraigados habitos alimentares que a ganância mercantil nos impingiu. Mens sana in corpores sano, é o princípio que deve nortear nossa conduta, com os olhos fitos nas benesses a serem proporcionadas por uma vida sadia, livre da virulência dessas porcarias que intoxicam as nossas combalidas carcaças. Como arremate, exsurge, por relevante, um questionamento final: como sobreviver livre de tais excrementos? onde adquirir alimentos sadios, se os supermercados citadinos estão abarrotados de produtos industrializados, de livre comércio e fiscalização duvidosa? como evitar a morte por inanição? Valha-nos Deus! Pausa para meditação...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A SAÚDE NOSSA DE CADA DIA


Para não me tornar repetitivo e enfadonho, abordando temas só alusivos à nauseabunda politicalha reinante, faço hoje sucinto enfoque relativo a matéria que reputo de de suma relevância: a saúde nossa de cada dia. Diz a sabedoria popular que de médico e louco todos nós temos um pouco. Não me tenho na conta nem de um nem de outro. Mas, temerária e afoitamente, peço vênia para fazer breve incursão nessa
área, argüindo tese polêmica (como é do meu agrado) e, quiçá, estapafúrdia.Ao longo da vida dediquei-me à advocacia, até o saturamento. Batendo em retirada dessa desgastante profissão,e qual verdadeiro rato de biblioteca, mergulhei em leituras, pesquisas, sondagens, o diabo a quatro, sobre a preservação da saúde física e mental das nossas combalidas carcaças. Matutando sobre afirmativa do iluminado Osho (preclaro mestre indiano), dei-lhe inteira razão. Afirmava ele que o indicativo do grau de saúde de uma população estaria na razão direta e proporcional ao número de farmácias existentes nas comunidades. Dado e elemento esse que, desde já, se afiguram pouco lisongeiros para nós, brasileiros, levando em conta o expressivo índice de casas especializadas na comercialização de remédios, de molde a forrar as burras e os alforjes das poderosas multinacionais fabricantes dessas drogas (com perdão da má palavra). De outra parte, é sabido que a medicina também está por demais mercantilizada e cada vez mais distante do juramento de Hipócrates, que equiparava sua prática ao sacerdócio. É notório,melhor cuida e se direciona a ciência médica para a cura das doenças, e não para a sua prevenção - princípio etiológico desconsiderado - tanto que se atém ela, primordialmente, aos efeitos, menosprezando os fatores causais e determinantes das patogenias. A par disso, nossos desvalidos hospitais parecem melhor contribuir para a disseminação das moléstias infecto-contagiosas e enfermidades diversas, por absoluta carência de recursos de ordem material e humana. Criminosa, nesse particular, a indiferença e o desmazelo das autoridades.Safardanas, ditos responsáveis não elegem prioridades, desviando verbas para medidas demagógicas, popularescas e eleitoreiras, com descaso absoluto para a saúde e a segurança dos concidadãos.É o caos! Alguma coisa deve estar errada, então. Paradoxalmente, em contrapartida, a média de vida humana aumentou, de modo considerável, girando hoje ao redor dos setenta anos. Corolário do progressivo avanço da ciência e da tecnologia. A contrario sensu, patologias de toda ordem continuam minando o organismo da cristandade. Quando a morte não ceifa indivíduos ainda jovens, ressalta e se evidencia o circunstancial de que quase ninguém chega à velhice em estado saudável, como seria de esperar.Poucos são os bem-aventurados que conseguem se livrar de cardiopatias, carcinomas, alzheimers, diabetes, hipertensões,derrames, obesidades e outras mazelas que culminam por infernizar a vida da maioria das criaturas, sobreviventes à custa de sofrimentos e angústias inenarráveis. As pessoas, de um modo geral,estão se tornando hipocondríacas: é remédio para dormir, para emagrecer, para livrar dores de cabeça, para intestino preso, para depressão, para labirintites, para síndromes de pânico, para obter ereção e sei mais lá o quê...O homem é aquilo que come (no bom sentido, é claro!). Não residirá aí o problema, a fonte de todos os males? Deixo em aberto a questão, si et in quantum, para livre meditação. Num próximo texto, darei seguimento ao assunto, quando farei denúncias acopladas de análise mais objetiva e controversa da matéria. Entrementes, salud y plata a todos.

sábado, 9 de janeiro de 2010

ELOGIO DA BURRICE


Aqui me tens de regresso. A voragem consumista, neurotizante e configuratória do apagar das luzes do ano velho, me induziu ao voluntário recolhimento. Nesse entreato, até cogitei alinhavar alguma mensagem otimista alusiva à efeméride, ao novo marco que se delineava no horizonte, com ilusórios prenúncios de uma era mais otimista e edificante. Mas logo desisti, desencantado com a miséria atual, com a corrupção, a impunidade, o descalabro, a balbúrdia, os flagelos, a criminosa insegurança e a pasmaceira dos responsáveis. Tudo sob o olhar apassivado, basbaque e indiferente do populacho, no atropelo das compras natalinas! Enquanto os politicóides - eternamente em férias remuneradas - voejavam pelo mundo afora, batendo sua rica plumagem, cercados por nababescas comitivas de camaleões e realizando turismo à custa do aparvalhado povaréu. Essa a razão que me fez calar, ensimesmado, matutando sobre a extensão da burrice humana. Pitigrilli tinha razão quando afirmou só ser possível avaliar a imensidão da estupidez do homem tendo como parâmetro as distâncias interplanetárias! Dizer o quê, quando um imbecil humanóide até se diverte e se entretém ao ouvir o pum de um foguete, que até pode ensurdecer seus auriculares e destroçar seus membros? Ninguém se iluda, iremos de mal a pior. Já disse antes e enfatizo agora, a plebe ignara, analfabeta, entorpecida e anestesiada, é quem escolhe seus governantes. Se isso é democracia, então somos forçados a concluir: é a pior forma de governo! Consequentemente, ficaremos ad infinitum confinados num círculo vicioso. Espertamente,sabem todos, os politiqueiros não têm o menor interêsse em propiciar educação à massa. É curial, o poder econômico elege e reelege essa mesma camarilha, através de trambiques, conchavos, corrupção, sinecuras, tráfico de influência, distorções e toda sorte de medidas enganosas, demagógicas, popularescas e eleitoreiras, tais como bolsa-família e outras maquiavélicas artimanhas, estimulantes do ócio e do atraso. Escrevo e assino em baixo: as próximas eleições constituirão palco de novas traquinagens. Os mesmos safados, patifes, canalhas e energúmenos, serão reconduzidos e entronados nos cargos públicos, para vergonha de toda a nação. Dentre todo espécime que habita a natureza o homem é que assombra pela sua irracionalidade. Ele é maldoso,ferino, insensível, comete crimes hediondos, rouba, maltrata animais e o seu semelhante, e se emporcalha, destruindo a fauna, estupra até familiares e menores indefesos, vive de guerras e aquartelamentos, infernizando a vida terrestre. Entrementes, a soldadesca - servil e apassivada -, e sem mesmo saber por quê, se submete a tresloucados líderes,impotentes e sexualmente frustrados; cega e fanatizada por esses comandos insanos, se abastarda e comete atrocidades, massacrando e torturando pessoas, bombardeando cidades e assassinando legiões de inocentes, num tropel de covardia que não respeita velhos, mulheres e crianças. Diante desse quadro, desse macabro e repulsivo cenário, horroroso e dantesco, dá vontade da gente virar eremita e se recolher às cavernas; para nunca mais ler nem ouvir a torrencial imundície diariamente propalada pelos atrelados corifeus, mentores dos tendenciosos noticiários que atormentam o nosso quotidiano; e culminando por ignorar o nauseabundo e desprezível lodaçal da politicalha reinante. É um salve-se quem puder! Dominus vobiscum...