Povo nas ruas, nos salões, em meneios e estridências de cornetas e
tambores. Festival da carne, reinado da folia, do prazer, das beberagens, da
luxúria, da exacerbação dos sentidos, da libertinagem, do nudismo, da exposição
de seios alabastrinos, siliconados, balouçantes. Traseiros requebrando na
cadência de lúbricos anseios. E a plebe, anestesiada pelo álcool, pelas drogas,
esquece as mazelas, a pobreza de uma nação em decadência. Olvida o infortúnio da
copa perdulária, as agruras da politicalha eleitoreira. É carnaval! Descasos com
o luxo, as gastanças, fantasias mirabolantes, o mercantil desfile das escolas -
vitrine das vaidades. Frívolas criaturas, entronadas em andores plastificados,
com refulgências de luzes, tintas e papelório. Artistas empavonados, recobertos
de pelames, plumas e paetês. Irrelevantes os acidentes, os crimes, a sexualidade
promíscua, o contágio, a ressaca, o desemprego, as faltas ao trabalho. Exaltação da libido em oceanos de cerveja!
Clamores do sexo sem amor. Ilusão fugaz que precede a quarta-feira. A canseira.
Cinzas carregadas pela brisa. Agoniza a alegria, a turba já não berra! As
garrafas estão vazias. Calaram os tamborins e a tristeza, nos camarins, assiste
ao enterro da quimera. O silêncio é sepulcral: adormece, no homem, o
animal.
sábado, 1 de março de 2014
domingo, 23 de fevereiro de 2014
A CONVERSÃO DE DONA DILMA
Pois a presidente lá se foi, de
novo, em turísticos vôos eleiçoeiros, bater um papo com o papa! Persignada,
reverenciosa, virou carola, osculando, contrita, as mãos do supremo pontífice,
pedindo a bênção papal e rogando preces celestiais para uma mal dissimulada
campanha eleitoreira. Declarada ateia, materialista convicta, finge renegar seu
passado de esquerdismo radical e adestramento nas práticas de militância
terrorista. A visita ao Vaticano mascara um plano diabólico, bem elaborado, na
mesma linha e ditames de Lula, seu ardiloso mentor, estrategista, criador da
perdulária copa do medo. Esse farisaico procedimento de arrebanhar votos da
cristandade, coloca a nu a dimensão, o malabarismo e as apelativas tramóias da
vil demagogia, próprias de trêfegos politiqueiros, santanários, sacripantas de
plantão, que vendem a alma em troca de cargos e ganâncias obsessivas de
perpetuação no poder. Dominus vobiscum!terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
MAZELAS
Brasil, sob os escombros de um governo ditatorial, império da incompetência, da irresponsabilidade, do turismo gracioso, das gastanças da copa (ou do copo?) e das olim...piadas, enquanto o país soçobra com o analfabetismo, falta de segurança, de escolas, de saúde pública e vergonha na cara! Estamos em plena guerra civil: tiroteios, seqüestros, corrupção, morticínios, barbárie, selvageria, impunidade! O absurdo da lei seca, ressequida pela idiotia da tolerância zero. Mas dirigir chapado, motoristas impunes, atropelando e matando sob o veneno das drogas e anfetaminas, aí pode! População desprotegida, desarmada, envilecida, acovardada, submissa, assaltada à luz do dia e entregue à sanha de uma bandidagem ferrada até os dentes, pelo livre contrabando de metralhadoras, fuzis e armas de grosso calibre. Crise escancarada, greves, revolta, indignação, tráfico, favelas rebeladas, retração nos negócios, inflação desenfreada, bancarrota geral! É um salve-se quem puder. E, com tudo isso, com todas essas mazelas, o PT ainda quer permanecer no poder?!
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
EMOÇÕES REDIVIVAS
Relembro meu retorno ao pago. Regresso comovente, embebido de
encanto e ternura pelo reencontro com as origens e as graças de abraçar amigos.
Santiago, cada vez mais linda e fulgurante! Perambulei pelas ruazinhas da minha
infância. Parei nas esquinas da vida, compungido por ternas emoções, lembrando
afetos que já foram, perdidos na poeira dos tempos... Ah, os dias de outrora,
que não voltam mais! Prédio do cinema antigo, ainda de pé; minha casa, sobrado
da Rua dos Poetas, incólume, à sombra de tantas lembranças; assim, a velha
estação férrea, palco de partidas e chegadas, de quimeras, de risos, lágrimas,
despedidas. Revejo o trem apitando na curva, a maria-fumaça resfolegante, gente
alvoroçada com a vinda – quem sabe? – da pessoa amada! À luz do poente, tornei a palmilhar,
solitário, meditativo, a gare deserta. Realimentei sonhos e fantasias. Hoje,
repaginada, embelecida, ali ressurge, imponente, a Estação do Conhecimento.
Fidedigno emblema do desenvolvimento citadino. Em louvor aos novos rumos que
despontam no horizonte, deixo de lado nostálgicos recuerdos. Os trilhos da estação - linhas paralelas que
apontam para o infinito - enquadram a simbologia perfeita para os caminhos de
Santiago, numa brilhante apoteose travejada de progresso, cultura e civilização.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
RECADO À PRESIDENTE
Peço vênia para, na condição de cidadão brasileiro, dirigir-lhe palavras de gratidão pelas regalias e benesses havidas do seu governo. Feliz, por viver numa pátria onde abundam greves sazonais, como as dos lixeiros, transportes, correios e bancários! Gratificante, respirar o cheiro de águas fétidas e conviver com baratas e ratazanas, em ruas esburacadas; bom, ficar em casa, embora longe da fluidez do trânsito e dos transportes públicos de primeiro mundo; ótimo, não receber contas e economizar com o fechamento dos Bancos, evitando saques e pagamentos; orgulhoso, por viver no país do futebol, rindo à toa, tecendo piadas sobre insegurança e misérias inexistentes! Verdade que alguns patrícios chafurdam no lixo, passam fome, privações, e não têm onde morar... Problema deles, não é? São mazelas, fruto da indolência, do analfabetismo, seqüelas provenientes de más formações da etnia e da genética! Enalteço, presidente, seu empenho ao elencar prioridades, como o copo do mundo e as olim...piadas, dando ênfase aos elefantes brancos, - fabulosos estádios financiados com dinheiro público. Primazia para hospitais, educação, segurança, para quê? A plebe quer mesmo é torcer nas cotidianas disputas de intermináveis copas e brasileirões! Teço loas à mídia atrelada, complacente, que lhe dá plena cobertura eleitoreira, compensando eventuais omissões quando exalta nossos bravos jogadores e suas “heróicas” atuações nas ferrenhas batalhas campais. Concordo, de nada valem educação e saber humano, desde que mantidos pão e circo para distração da patuléia, que com isso se compraz, humildemente. Por isso, Dna.Dilma, me congratulo com seu pragmático espírito idealístico, enobrecedor da nação brasileira, de há muito preparada para ostentar o vanglorioso reconhecimento de melhor futebol do mundo, e para gritar, ufanosa, a plenos pulmões, “semos campeão!” terça-feira, 24 de setembro de 2013
CAMBALACHO Tal como as novelas, assim o julgamento do mensalão. Critiquei o bicameralismo, os entraves entre Câmara e Senado, postergando deliberações ad infinitum. Guardadas as proporções, o mesmo ocorre no STF, que há tempos intentava punir a corja mensaleira. Justiça tardia é injustiça. Durante anos atuei nas lides forenses, batendo em retirada por desencanto com a pletora recursal e morosidade dos processos. Haja paciência para enfrentar o emperramento da máquina judiciária! Cambalacho no tribunal: os novos ministros, atrelados e comprometidos, espertamente nomeados pela presidente, mercadejaram seu aval ao favorecer os corruptos! Sectários, mandaletes, eles eram notoriamente suspeitos! A estratégia presidencial mudou as regras do jogo, com manifesta afronta à opinião publica. No caso sub judice, o servil voto de minerva foi pelo cabimento dos embargos, implicando em novo julgamento sobre questões adrede decididas! Com os recursos, a sentença recursal ficará para as calendas gregas, caindo no descrédito popular a suprema corte! Verdadeira aberratio júris a trama procrastinatória, redundando em revertério do decisório e prescrição da maioria das penas cominadas aos infratores. Lamentável o fato, a perda de tempo, tantas ilusões perdidas após tamanhas escaramuças que haviam culminado na merecida aplicação de sanções prisionais aos prevaricadores. Custo a acreditar que tudo não passou de um jogo de cartas marcadas, mero ensaio preparatório para outros intermináveis debates, com a provável impunidade dos quadrilheiros...
terça-feira, 10 de setembro de 2013
DESVARIOS DA PAIXÃO
Irracional o fanatismo das paixões ligadas à política, futebol ou religião, provocando malquerenças entre os pobres de espírito. De política, poucos entendem, sentenciava Borges, famoso literato argentino. Governar, dizia, deveria ser privilégio de gente especializada, descabendo à plebe eleger governantes, por força da sua notória apatia, desconhecimento e alienação. O povo sempre se equivoca, aduzia, indagando: acaso ele interfere na elaboração da química, uma ciência especializada, assim como é a arte de governar? Quanto ao futebol, penso eu, tanto faz ganhar ou perder, se o resultado nada acrescenta! Espetáculo circense, jogadores mercenários, camisetas promocionais, picadeiro montado para distrair a patuléia. As religiões? Por que a sanha de catequizar rebanhos, as doutrinas se arvorando em donas da verdade? Adesões cegas, passionais, a partidos, clubes ou seitas religiosas, são patológicas fixações mentais oriundas de frustrações e insegurança. A livre manifestação é direito fundamental do indivíduo, a ser exercido sem restrições, com absoluto respeito. A maioria encara o diálogo, a troca de idéias, de forma exacerbada e polêmica, sobressaindo vaidades e o obsessivo intento de predominância de convicções de ordem estritamente pessoal. Válidas as expressões de pensamento calcadas na liberdade de crenças e de opinião. O intercâmbio de idéias não é um jogo, no qual alguém pretenda impor seu entendimento de modo obstinado, arbitrário e radical
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