
Para não me tornar repetitivo e enfadonho, abordando temas só alusivos à nauseabunda politicalha reinante, faço hoje sucinto enfoque relativo a matéria que reputo de de suma relevância: a saúde nossa de cada dia. Diz a sabedoria popular que de médico e louco todos nós temos um pouco. Não me tenho na conta nem de um nem de outro. Mas, temerária e afoitamente, peço vênia para fazer breve incursão nessa
área, argüindo tese polêmica (como é do meu agrado) e, quiçá, estapafúrdia.Ao longo da vida dediquei-me à advocacia, até o saturamento. Batendo em retirada dessa desgastante profissão,e qual verdadeiro rato de biblioteca, mergulhei em leituras, pesquisas, sondagens, o diabo a quatro, sobre a preservação da saúde física e mental das nossas combalidas carcaças. Matutando sobre afirmativa do iluminado Osho (preclaro mestre indiano), dei-lhe inteira razão. Afirmava ele que o indicativo do grau de saúde de uma população estaria na razão direta e proporcional ao número de farmácias existentes nas comunidades. Dado e elemento esse que, desde já, se afiguram pouco lisongeiros para nós, brasileiros, levando em conta o expressivo índice de casas especializadas na comercialização de remédios, de molde a forrar as burras e os alforjes das poderosas multinacionais fabricantes dessas drogas (com perdão da má palavra). De outra parte, é sabido que a medicina também está por demais mercantilizada e cada vez mais distante do juramento de Hipócrates, que equiparava sua prática ao sacerdócio. É notório,melhor cuida e se direciona a ciência médica para a cura das doenças, e não para a sua prevenção - princípio etiológico desconsiderado - tanto que se atém ela, primordialmente, aos efeitos, menosprezando os fatores causais e determinantes das patogenias. A par disso, nossos desvalidos hospitais parecem melhor contribuir para a disseminação das moléstias infecto-contagiosas e enfermidades diversas, por absoluta carência de recursos de ordem material e humana. Criminosa, nesse particular, a indiferença e o desmazelo das autoridades.Safardanas, ditos responsáveis não elegem prioridades, desviando verbas para medidas demagógicas, popularescas e eleitoreiras, com descaso absoluto para a saúde e a segurança dos concidadãos.É o caos! Alguma coisa deve estar errada, então. Paradoxalmente, em contrapartida, a média de vida humana aumentou, de modo considerável, girando hoje ao redor dos setenta anos. Corolário do progressivo avanço da ciência e da tecnologia. A contrario sensu, patologias de toda ordem continuam minando o organismo da cristandade. Quando a morte não ceifa indivíduos ainda jovens, ressalta e se evidencia o circunstancial de que quase ninguém chega à velhice em estado saudável, como seria de esperar.Poucos são os bem-aventurados que conseguem se livrar de cardiopatias, carcinomas, alzheimers, diabetes, hipertensões,derrames, obesidades e outras mazelas que culminam por infernizar a vida da maioria das criaturas, sobreviventes à custa de sofrimentos e angústias inenarráveis. As pessoas, de um modo geral,estão se tornando hipocondríacas: é remédio para dormir, para emagrecer, para livrar dores de cabeça, para intestino preso, para depressão, para labirintites, para síndromes de pânico, para obter ereção e sei mais lá o quê...O homem é aquilo que come (no bom sentido, é claro!). Não residirá aí o problema, a fonte de todos os males? Deixo em aberto a questão, si et in quantum, para livre meditação. Num próximo texto, darei seguimento ao assunto, quando farei denúncias acopladas de análise mais objetiva e controversa da matéria. Entrementes, salud y plata a todos.