
A vida é mesmo assim. Estamos sempre a esperar por algo: chegada do carteiro, da promoção, da hora marcada, do bom tempo, do milagre, da cura, do amor verdadeiro... São infinitas e angustiantes as silenciosas expectativas terrenas! Passam-se os dias e ficamos nós a construir castelos de areia, a vida se escoando, lentamente, pelos ralos da cupidez e da ganância. Enredado nesse cipoal de aspirações, o ser humano persiste em se mortificar num torvelinho de pensamentos que atordoam seu universo existencial. Sem se dar conta de que o bem estar e a felicidade estariam em não almejar, em ser livre, para usufruir da calmaria e do alento da suave brisa que eleva o espírito a paradisíacas culminâncias. Liberto dos casuísmos, da soberba, das ambições e do apego às coisas efêmeras, poderá o homem se reorientar no inextricável enredo dos tormentosos anseios e da agônica tortura dos desejos insaciáveis. Cônscio de que o emocional é que rege o infortúnio ou a bem-aventurança, o pauperismo ou a riqueza da alma. Cultuando os salutares princípios da transcendental meditação e no enlevo de dourados sonhos, tecidos com desprendimento, poderá o homem ascender aos páramos do além, despojado da sobrecarga das cobiças e dos febris anseios que atormentam e afligem o seu quotidiano.